Unidade

Consultório na Rua

End:Rua Sapucaia ,nº 413 

Alto da Mooca    

CEP: 03170-050

São Paulo  - SP

Tel: (11) 2692-3165

Email:  marta.saudenarua@gmail.com 

Faixa Etária: 0 a 100

Número de atendidos: 275 (média diária)


História

BOMPAR/ CONSULTÓRIO NA RUA/ SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE

​UM NOVO OLHAR PARA A POPULAÇÃO DE RUA NA CIDADE DE SÃO PAULO

O CONSULTÓRIO NA RUA, nasceu da  Estratégia Saúde da Família -  núcleo/  parceria entre  o Centro Social e a  Secretaria Municipal de Saúde (Programa de Saúde da Família). Em 2004 foi implantado com o objetivo de oferecer atendimento à saúde da população em situação de rua. Em iniciativa pioneira os agentes comunitários de saúde foram contratados por meio de processo seletivo feito com pessoas que tiveram a vivência de situação de rua/albergue.  O documento que norteia este trabalho se fundamenta nos princípios do SUS de integralidade, universalidade e eqüidade. Este último norteia a estrutura deste trabalho que recupera em uma ação ampla as necessidades especificas desta população. As equipes realizam diretamente o atendimento integral da saúde da população de seu território, bem como auxiliam o acesso da mesma nos serviços de especificidades em saúde da região, para um cuidado emergencial e pontual, ou um seguimento longitudinal.

Dentre os problemas de saúde encontrados nesta população estão a tuberculose, as doenças sexualmente transmissíveis, os transtornos mentais, a dependência química, a hipertensão arterial, as sequelas ortopédicas e as alterações dentárias.

Consultório na rua   nasce da mobilização da população em situação de rua, marcada pelo Dia de Luta da População em Situação de Rua, atualmente esta estratégia saúde de rua conta com mais de 170 pessoas para atuar em equipes multiprofissionais atuando na área da saúde. As equipes ficam locadas em unidades básicas de saúde UBS nas regiões  da Mooca, Lapa/Pinheiros e Sé.

UOM – UNIDADE ODONTOLÓGICA MOVEL/CNR – Tem como objetivo  oferecer serviços especializado em odontologia para pessoas em situação de rua encaminhadas pelas equipes do CNR na Cidade de São Paulo, por meio das Unidades Odontológicas Móveis. Os problemas dentários decorrentes do uso e abuso de drogas possuem alta prevalência na rua, embora não tenhamos estudos que tragam estes dados quantitativos, é uma rotina, no trabalho com a rua, nos depararmos com dores de dentes frequentes, lesões na boca, cáries, falhas dentárias, infecções gengivais, entre outros, demandando para as equipes de Consultório na Rua, uma articulação importante com as equipes de saúde bucal das Unidades Básicas.

 

UMA REFLEXÃO DA POPULAÇÃO ATENDIDA  

 

Quando se fala em população que vive em situação de rua, temos a impressão que  não fica dúvidas que estas pessoas expressam uma situação extrema no limite de pobreza.

Daí uma inquietude colocada em questão que estamos falando de pessoas e de trabalhadores que em algum momento de suas vidas, tiveram suas famílias, moradia e saúde. 

As condições de extrema vulnerabilidade das pessoas em situação de rua, aliadas às questões psicossociais geradoras de sofrimentos físicos e emocionais, com possibilidades de maiores agravos à saúde, representam um desafio na efetivação de uma política de saúde que contemple essa complexidade.

A Política Nacional para a População em Situação de Rua define essa  população como “grupo heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados, a inexistência de moradia convencional regular e, faz uso dos logradouros públicos e áreas degradadas da cidade como espaço de moradia e sustento, de forma temporária ou permanente e utiliza as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória”. (Ministério da Saúde, 2009)

SAÚDE

O censo aponta que cerca de 4% dos acolhidos e 16,1% das pessoas entrevistadas nas ruas afirmaram não procurar serviços de saúde. Dos que procuram os serviços do SUS mais de 70% dos acolhidos e quase 60% dos “da rua” acessam AMA ou UBS e mais de 40% dos entrevistados recorrem aos Hospitais e Pronto Socorros. O acesso ao CAPS foi mencionado por 16% dos entrevistados e o Consultório na Rua por 10%.

Sobre os principais agravos à saúde, a pesquisa aponta problemas de saúde bucal e sequelas de acidentes como os mais recorrentes, ambos referidos por cerca de 30% das pessoas, HIV e tuberculose com prevalência maior do que a população em geral, ambos referidos por cerca de 4%. O censo destaca que, de modo geral, a prevalência de quase todos os agravos é mais alta entre as mulheres.

USO DE ÁLCOOL E DROGAS - O uso de drogas não constitui um problema específico da população de rua, mas atinge a sociedade como um todo. No entanto, nos grupos mais vulneráveis da população as consequências da droga

 

De modo geral, as pessoas acolhidas em algum equipamento social usam menos substâncias do que a população entrevistada nas ruas (54,3% e 83,8%), sendo o álcool a substância mais utilizada por todos (44,6% dos acolhidos e 70,1% da rua). As drogas ilícitas são utilizadas por 28,7% dos acolhidos e por 52,5% das pessoas entrevistadas nas ruas.

Feito um recorte de gênero e de faixa etária, o censo aponta que 72% das mulheres acolhidas e 25% das mulheres nas ruas não usam nenhum tipo de substância, enquanto entre os homens esta proporção é de 42% nos acolhidos e 15% nos da rua. Outro recorte interessante é de faixa etária, pois os dados apontam para diminuição do uso conforme aumento da idade: 77% dos jovens até 30 anos usam alguma substância e das pessoas com 50 anos ou mais, 24%. No recorte das substâncias ilícitas, entre os acolhidos 11,9% fazem uso de crack, 18,8% de maconha e 10,9% de cocaína. Dos entrevistados nas ruas, 34,5% usam crack, 33,1% maconha e 20,8% cocaína.

 

Uma breve linha do tempo - Histórico do Programa Consultório na Rua

 

            *  2003 - Grito dos Excluídos.

*  2004 - Projeto A Gente na Rua ( atual CNR).

*  2005 - 1º Formação do Programa e contração de 03 enfermeiros (equipes PACS).

*  2008 - ESF-Rua – equipes PSF - 7 Equipes com psicologia e Serviço Social .

*  2009 -  Centro legal e nova parceria (cobertura total de rua e albergue).

*  2012 - Consultório Na rua implantado nova nomenclatura em São Paulo.

*  2016 - UOM Unidade Odontológica Móvel

 

CONQUISTAS

 

1.    Após 12 anos de trabalho obtivemos os seguintes resultados:

2.    80% dos ACS saíram das ruas e hoje moram por conta própria;

3.    28%  ACSR ingressaram na Faculdade,

4.    95% retomaram contato com a família;

5.    70% voltaram a estudar/ cursos

6.    75% retomaram seus projetos de vida

 

Entendemos que saúde é realizar o bem estar bio-psico-sócio-espiritual do indivíduo, olhando-o de uma forma holística a fim de que seja tratado em suas reais necessidades.

 

            Marta Regina Marques

Coordenadora do BOMPAR/CNR/SMS

    E-mail: marta.saudenarua@gmail.com

     

 


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