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Cartas de Dom Luciano - Semana do Menor

                                                      Projeto de Animação Pastoral

“Cartas de Dom Luciano”

 

SEMANA DO MENOR

16/09/1989

 

Em 1981, realizou-se em São Paulo a 1ª Semana Ecumênica do Menor, fruto do trabalho conjunto de várias Igrejas Cristãs. Caracterizou-se a caminhada destes nove anos pela grande união entre agentes da pastoral, com o apoio de bispos, pastores, presbíteros, à ação em defesa da criança empobrecida. Desde o inicio, percebeu-se que a palavra de Jesus, colocando os pequenos em primeiro lugar em seu reino, tem uma força misteriosa para reunir as comunidades cristãs em clima de forte amizade e entusiasmo a serviço dos menores empobrecidos.

Vale a pena recordar o compromisso firmado pelos participantes da 1ª Semana Ecumênica: “Frente aos milhões de menores, meninas e meninos abandonados, oprimidos e que agridem a sociedade em que vivemos, frente a esta criança que sofre, sinal de quanto estamos distantes do Reino de Deus, nós nos unimos pela palavra do Senhor, irmanados no compromisso eclesial, na oração e busca constante da vontade de Deus. Nossas Igrejas realizarão praticas solidárias com o menor, e assim não estaremos longe do Reino”.

O tema de cada semana, preparado durante vários meses, reflete os passos de nove anos de amadurecimento das comunidades na compreensão do compromisso com o menor e das formas concretas para realizá-lo.

O último lance desse trabalho conjunto assumiu a forma de campanha pelo reordenamento jurídico do país, procurando assegurar os direitos do menor, na certeza de estar, assim, contribuindo para a promoção integral da pessoa humana. A colaboração das comunidades cristãs, ao lado de outras entidades, muito concorreu para elaboração do art. 227 da Constituição brasileira, que estabelece o “dever” da família, da sociedade e do Estado de assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida e aos demais direitos fundamentais.

Esta “prioridade absoluta”! É o tema da 9ª Semana Ecumênica. Significa a primazia em receber proteção, a precedência no atendimento por serviços públicos, a preferencia nas politicas sociais e o aquinhoamento privilegiado no orçamento do país. As atividades da semana, de 14 a 17 de setembro, no Centro Pastoral São José, em São Paulo, visam a dar instrumentos de reflexão para a análise socioeconômica da realidade do menor à luz da Palavra de Deus e instruir aos participantes sobre o modo de colaborar nos anteprojetos municipais. O mais importante, no momento, é a elaboração do “Estatuto da Criança e do Adolescente”, em tramitação na Câmara Federal e no Senado e que deverá introduzir inovações de fundo na atitude da sociedade brasileira com o menor.

A mensagem de Jesus, “não se perca um só destes pequeninos” (Lc 18, 12-24), vem irmanando sempre mais as Igrejas Luterana, Católica, Presbiteriana Independente, Metodista, Episcopal do Brasil, em união expressão sem precedentes de vivência ecumênica e de colaboração efetiva na linha do Evangelho.

Merece todo aplauso esta iniciativa em favor do direito sagrado à vida. Temos o dever de apoiar e imitar o trabalho daqueles que acolhem a criança como prioridade absoluta. A esperança é grande de que o Brasil respeite e promova a vida do nascituro, vença o desafio da mortalidade infantil e dê às crianças condições de desenvolvimento integral. Seja este o ponto básico do programa dos presidenciáveis. Seja compromisso de todo aquele que procura corresponder à intenção de Deus que, como expressão de seu infinito amor, cria cada pessoa humana e a destina à vida plena em Jesus Cristo.

 

(Dizer o testemunho / Faculdade Arquidiocesana de Mariana, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida. – São Paulo: Paulinas, 2016. P 76 a 78 Vol. II – Texto publicado na Folha de S. Paulo).


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