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Cartas de Dom Luciano - A Palavra de DEUS

Cartas de Dom Luciano Mendes de Almeida

 A PALAVRA DE DEUS   em 15/09/1990

A leitura assídua da Palavra de Deus é dever constante do cristão. Setembro nas comunidades católicas, costuma ser dedicado à Bíblia porque neste mês se celebra de modo especial o dom que Deus nos faz através dos escritos do Antigo e Novo Testamento. Nos últimos anos, crescem as iniciativas pastorais para apresentar ao povo de Deus a riqueza dos livros sagrados. Multiplicam-se os estudos de exegetas. Os comentários tornam-se acessíveis ao povo simples e nota-se nas comunidades a alegria de descobrir-se o sentido da mensagem divina com as aplicações à própria vida.

Destaco dois aspectos na leitura da Palavra de Deus: a Bíblia como livro de oração e discernimento para o agir cristão. Primeiro é auxilio para a nossa união com Deus. Ensina-nos a orar. O Antigo Testamento revela como Deus em contato direto com seu povo, que aprende a recorrer a Ele como a seu Senhor, Pastor e Pai, expressando-lhes, com confiança, suas necessidades, angustias e esperanças. Quanta emoção sentimos ao rezar os Salmos, revivendo hoje e fazendo nossas as alegrias, sofrimentos, louvores e súplicas de outros tempos. Passado pelos profetas e justos do antigo testamento, chegando à oração do Filho de Deus que nos dá exemplo de total abandono nas mãos de Deus Pai. Comunica aos discípulos o mistério de sua união filial, ensinando-lhes a rezar como Ele rezava, animando-os a invocar Deus como Pai, com os mesmo sentimentos que Ele possuía. A oração de Jesus modelou a oração da 1ª comunidade e de toda Igreja. Com Maria, Mãe de Jesus, os apóstolos aguardaram no cenáculo a vinda do Espírito Santo. Desde então, na sequencia dos séculos, caracteriza-se a prece dos cristãos pela confiança em Deus Pai que sustentou a coragem dos perseguidos, o zelo dos missionários, o testemunho de vida de cada fiel. É na leitura da Bíblia, pessoal, em família e na liturgia, sob a ação do Espírito Santo, que hoje também há de se alimentar a oração dos fieis e da comunidade.

O outro aspecto ligado ao precedente é o da Palavra de Deus como luz para discernir as situações concretas e pautar o comportamento dos cristãos. A vida de Cristo e dos apóstolos constitui-se como caminho e norma de agir de seus seguidores. Lendo a Bíblia, dispomo-nos a compreender as grandes lições do Evangelho, que transforma e renovam a convivência humana, marcada tantas vezes pela violência, ódio e desesperança. Sem a Palavra de Deus não alcançaríamos a verdade do Perdão. Onde encontraríamos a força interior para rezar por quem nos calunia e persegue, amar os que nos ofendem e pagar o mal com bem? Um dos maiores impasses para quem ama a Deus é aceitar o sofrimento na vida do justo. A leitura e a oração sobre a Paixão de Cristo nos introduz, aos poucos, na dimensão redentora da Cruz, assumida por amor solidário com os cristãos. Diante do pecado e da morte que parecem, para sempre, destruir a beleza da vida humana, só encontramos resposta na vitoria de Cristo que nos restitui a graça e garante, pela sua Ressurreição, a felicidade eterna. Estas e outras lições sublimes expressam a riqueza da Boa Nova que desejamos sempre mais acolher em nossa vida e transmitir aos outros.

Celebrando a Eucaristia numa capela no interior de Mariana, na hora das ofertas, um casal simples, marcado pelas provas da vida e muito estimado na comunidade, trouxe em procissão a Bíblia. Notei que o exemplar estava bem usado. Recebi-o com emoção. A esposa, percebendo meu olhar, sorriu e acrescentou: “É que lemos sempre em casa a Palavra de Deus. A Bíblia é nossa força e consolo”. Peço a Deus que se multiplique em muitos lares esta experiência forte de oração e de união familiar.

 

 (Dizer o testemunho / Faculdade Arquidiocesana de Mariana, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida. – São Paulo: Paulinas, 2016. P 118 a 120. Volume II – Texto de publicado na Folha de S. Paulo)


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